"Somos todos viajantes de uma jornada cósmica, poeira de estrelas, girando e dançando nos torvelinhos e redemoinhos do infinito. A vida é eterna. Mas suas expressões são efêmeras, momentâneas, transitórias." Deepak Chopra

sábado, 30 de julho de 2011

Fritjof Capra prefacia o livro O Tao da Libertação de M. Hathaway e L. Boff

por Leonardo Boff
Fritjof Capra

Em 2010 Mark Hathaway e eu publicamos em inglês um livro que nos tomou cerca de 12 anos de pesquisa:"The Tao od Liberation:exploring the Ecology of Transformation”(Orbis Books, N.Y.) Ele americano-canadense, pedagogo, com vários anos de trabalho no Peru e esperto em astrofísico e cosmologia e eu ecoteólogo.Foram muitos encontros seja no Canadá seja no Brasil. O livro ganhou a medalha de ouro da Fundação Nautilus que premia livros inovadoras em várias áreas do saber. Nosso prêmio foi em “Cosmologia e Nova Ciência”. Ao ler o manuscrito, Fritjob Capra se entusiasmou tanto que se ofereceu para fazer o prefácio que, como verão, é uma bela peça de reflexão.
O livro sairá nos inícios de 2012 em portugues pela Editora Vozes de Petrópolis. LB
         O Tao da Libertação
Explorando a Ecologia da Transformação

            Prefácio
Com o desenrolar do novo século, dois fatores vão impactar no futuro bem-estar da humanidade. O primeiro destes é o desenvolvimento e propagação do capitalismo global, o segundo é a criação de comunidades sustentáveis fundadas em praticas baseadas em eco-design.
O capitalismo global é preocupado com redes eletrônicas para transações financeiras e trocas de informações. O eco-design é preocupado com redes ecológicas e com o fluxo de energia e materiais dentro destas redes. A meta da economia global é, na sua forma atual, a maximização da riqueza e do poder das elites; a meta do eco-design é a maximização da sustentabilidade da teia da vida. Estes dois fatores estão atualmente em curso de colisão.
A nova economia, que surgiu da revolução da tecnologia da informação das ultimas três décadas, é estruturada principalmente em torno de redes de transações financeiras. Tecnologias sofisticadas de informação e comunicação facilitam a rápida movimentação de capital pelo mundo em uma incansável procura por oportunidades de investimento. Esse sistema conta com a ajuda de modelos computacionais para administrar as muitas complexidades trazidas pela rápida desregulamentação e pelo número atordoante de instrumentos financeiros.
Esta economia é tão complexa e turbulenta, o que torna impossível uma analise econômica convencional. O que nós estamos realmente vivenciando é um cassino global operado eletronicamente. Os apostadores neste cassino não são especuladores desconhecidos, mas grandes bancos de investimento, fundos de pensão, multinacionais e fundos mútuos criados com a intenção de manipular mercados financeiros. O tão chamado mercado global, em si mesmo, não é um mercado, mas uma rede de computadores programados com um único intento – fazer dinheiro; quaisquer outros intentos ficam fora da equação. Isto quer dizer que a globalização econômica tem sistematicamente excluído a dimensão ética de se fazer negócio.
Nos últimos anos, o impacto social e ecológico dessa globalização tem sido discutido exclusivamente por acadêmicos e lideres de comunidades. A análise deles diz que a nova economia está produzindo um grande número de consequências graves. Ela enriqueceu as elites globais de especuladores financeiros, empresários e profissionais de alta-tecnologia e em consequência disto aqueles que se encontram no topo da pirâmide social nunca acumularam tanta riqueza. Entretanto, as consequências para a sociedade em geral e para o meio-ambiente tem sido desastrosas; e como nós temos visto durante a atual crise financeira, a nova economia também representa um grave risco à saúde financeira de pessoas no mundo todo.
Este novo capitalismo global causou um aumento da desigualdade e da exclusão social, comprometeu instituições democráticas, teve um grande impacto negativo no meio-ambiente e alastrou o problema da pobreza e alienação. Este capitalismo ameaça e destrói comunidades locais pelo mundo afora e a sua idealização de uma infundada biotecnologia é um assalto a santidade da vida, porque torna diversidade em monocultura, ecologia em engenharia e a vida em uma mercadoria.
É cada vez mais claro que o capitalismo global em sua forma presente é insustentável socialmente, ecologicamente, e até financeiramente, e então ele precisa ser fundamentalmente re-projetado. O seu princípio fundamental que dita que fazer dinheiro tem precedencia sobre os direitos humanos, democracia, proteção do meio-ambiente, ou quaisquer outros valores, só pode levar ao desastre. Entretanto, este princípio pode ser mudado; este princípio não é uma lei da natureza. As mesmas redes eletrônicas usadas em trocas de informações e transações financeiras poderiam contar com outros valores. O problema não é tecnológico, mas político.
O grande desafio do século XXI é mudar o sistema de valores subjacentes à economia global para torná-la compatível com a dignidade humana e com a sustentabilidade ecológica.
Certamente, a maneiras de replasmação do processo de globalização já começaram. Em meados do novo século uma impressionante coalizão de organizações não-governamentais (ONGs) foi formada com esse propósito. Esta coalizão, também chamada de movimento pela justiça global, tem organizado uma série de manifestações bem sucedidas contra reuniões da Organização Mundial do Comércio (OMC), G7 e G8, e tem também organizado vários encontros do Fórum Social Mundial (FSM), a maioria dos quais ocorreu no Brasil. Nestes encontros as ONGs propuseram um novo paradigma para políticas comerciais, que incluem propostas radicais e concretas para uma reestruturação das instituições financeiras mundiais, o que mudaria profundamente a natureza do processo de globalização.
O movimento pela justiça global exemplifica um novo tipo de movimento político que é típico dessa nossa era da informação. Por causa do seu habilidoso uso da internet, as ONGs dessa coalizão são capazes de se comunicarem umas com as outras, divulgarem informações e mobilizarem seus membros com uma rapidez sem precedentes. Consequentemente, as novas ONGs globais se tornaram eficientes atores políticos independentes das tradicionais instituições nacionais e internacionais. Elas constituem um novo tipo de sociedade civil e global.
Para posicionar seu discurso político dentro de uma ótica sistêmica e ecológica, essa sociedade civil e global conta com o apoio de uma rede de acadêmicos, institutos de pesquisa, grupos de reflexão e centros de estudos que tendem a operar independentemente das instituições acadêmicos tradicionais, das organizações financeiras e das agências governamentais. Atualmente, há muitos desses institutos de pesquisa e de estudos espalhados por várias partes do mundo e eles compartilham uma característica que é conduzir pesquisa dentro de parâmetros de valores centrais a todos eles.
A maioria desses institutos de pesquisa é formada por comunidades de acadêmicos e ativistas que estão engajados em vários tipos de projetos e campanhas. Entretanto, há três grupos de problemas que parecem ser um recorrente foco de preocupação por parte dos maiores e mais ativos movimentos de classes populares.
O primeiro é o desafio de moldar as regras e as instituições envolvidas no processo de globalização; o segundo é a sua oposição contra os alimentos transgênicos e a sua preferência pela agricultura sustentável; e o terceiro é o eco-design, que é um esforço sério de remodelar estruturas físicas, cidades, tecnologias e indústrias para torná-las ecologicamente sustentáveis.
Design, no sentido mais lato, consiste na plasmação dos fluxos de energia e matéria para usos e propósitos humanos. Eco-design é um processo pelo qual os usos e propósitos humanos são cuidadosamente embutidos e tecidos na malha e no fluxo natural do mundo. Os princípios do eco-design refletem os princípios de organização que a natureza criou para sustentar a teia da vida – o contínuo ciclo da matéria, o uso de energia solar, diversidade, cooperação e simbiose e assim por diante. Para implementar esta noção de design nós precisamos mudar nossa atitude para com a natureza – do que podemos extrair da natureza para o que podemos aprender com a natureza.
Recentemente, temos visto um aumento considerável em práticas e projetos orientados por eco-design, os quais são agora bem documentados. Eles incluem a renascença da agricultura orgânica pelo mundo afora; a organização de indústrias em agrupamentos ecológicos, nos quais o refugo de uma se torna o recurso da outra; a mudança de uma economia baseada em produtos para uma economia baseada em ‘fluxo-e-serviço’, na qual matérias-primas industriais e componentes técnicos circulam continuamente entre fabricantes e usuários; edifícios construídos de acordo com um design que gera mais energia que a usada, que não produzem desperdício e que monitoram seus desempenhos; carros híbridos que são muito mais eficientes que os carros normais; e assim por diante.
Estes projetos e tecnologias baseadas em eco-design incorporam princípios ecológicos e então tem algumas características fundamentais em comum. Eles tendem a serem projetos em pequena escala, com muita diversidade, eficiência energética, não poluentes, orientados para a comunidade, de mão-de-obra intensiva e criadores de vários postos de trabalho. As tecnologias agora disponíveis são provas irrefutáveis que a transição para um futuro sustentável não é mais um problema técnico ou de fundamentos. Muito pelo contrario, é um problema de valores e de vontade política.
Mas parece que esta vontade política tem aumentado significantemente nos últimos anos. Um indício notável disso é o filme Uma Verdade Inconveniente de Al Gore que teve um importante papel na sensibilização das pessoas para uma consciência ecológica. Em 2006, Al Gore treinou pessoalmente duzentos voluntários no Tennessee para palestrar a sua mensagem mundo afora. Até 2008, esses voluntários já tinham dado vinte mil palestras para dois milhões de pessoas. Neste mesmo ínterim, a organização de Al Gore, The Climate Project, treinou mais de mil outras pessoas empenhadas pela causa na Austrália, Canadá, Índia, Espanha e Reino Unido. Eles agora são vinte seis mil palestrantes que já comunicaram a mensagem para uma audiência de mais de quatro milhões de pessoas mundialmente.
Outro importante acontecimento foi a publicação do livro Plan B: Mobilizing to Save Civilization de Lester Brown, um dos fundadores do Worldwatch Institute e um dos maiores pensadores sobre o meio-ambiente. A primeira parte do livro é uma discussão detalhada sobre a interconexão fundamental dos maiores problemas que nos afetam. Ele demonstra com extrema claridade que o círculo vicioso de pressão demográfica e pobreza leva ao esgotamento de recursos – queda no nível dos lençóis d’água, poços artesianos secam, florestas diminuem, declínio dos estoques de pesca, erosão do solo, desertificação dos prados e assim por diante – e como este esgotamento, exacerbado por mudanças climáticas, produz estados falidos cujos governos não conseguem manter seus cidadãos, alguns dos quais, num estado de completo desespero, recorrem ao terrorismo.
Enquanto esta primeira parte do livro é categoricamente deprimente, a segunda – um plano de ação para salvar nossa civilização – é otimista e emocionante. Este plano de ação envolve várias ações simultâneas trabalhando em cooperação umas com as outras, e refletindo a interdependência dos problemas que elas tentam solucionar. Todas as propostas nesta segunda parte podem ser implementadas com o uso de tecnologias que nós já possuímos, e de fato, todas essas propostas são explanadas com exemplos bem sucedidos em alguma parte do planeta.
O Plano B de Brown é talvez a mais clara documentação que temos hoje em dia de que nós possuímos o conhecimento, as tecnologias e os meios financeiros para salvar a nossa civilização e para construir um futuro sustentável.
E finalmente, a liderança e a vontade política para o desenvolvimento de uma civilização sustentável ganharam um novo ímpeto com a eleição de Barak Obama para a presidência dos Estados Unidos. As origens da família Obama são bem diversas tanto racialmente quanto culturalmente. O pai dele era do Quênia, a mãe dele era Norte-Americana e o padrasto dele era da Indonésia. Obama nasceu no Havaí e passou parte da infância lá e parte na Indonésia. Estas origens bem diversas moldaram a maneira que ele tem de ver o mundo; ele não tem problemas em se comunicar com pessoas de outras raças e de classes sociais diferentes.
Como ele passou vários anos trabalhando como organizador e animador de comunidades e como advogado de direitos humanos, Obama é um excelente ouvinte, facilitador e mediador. A sua eleição remodelou a cultura política nos EUA e está transformando a imagem dos Estados Unidos no exterior e mudando a percepção que os Norte-Americanos têm deles mesmos.
O programa político do presidente Obama representa um redirecionamento para os EUA. Os pontos principais desse programa são a rejeição do fundamentalismo de mercado, o final do unilateralismo Norte-Americano, a implementação de políticas econômicas visando o bem-estar do meio ambiente como respostas à crise mundial do meio ambiente. Obama é muito consciente da fundamental interconexão dos grandes problemas do mundo e muitos dos maiores cientistas e ativistas do planeta estão prontos a lhe ajudar na implementação desta política.
Mas algumas questões importantes ainda necessitam respostas: Porque levou tanto tempo para se reconhecer a seriedade do risco à sobrevivência humana? Porque somos tão devagar em mudar as nossas percepções, idéias, modos de vida e instituições, as quais continuam a perpetuar injustiças e a destruir a capacidade do planeta Terra em sustentar a vida? Como impulsionar o movimento pela justiça social e pela sustentabilidade ecológica?
Estas questões são centrais para este livro. Os autores, Leonardo Boff e Mark Hathaway – um do Grande Sul, o outro do Grande Norte – tem refletido muito sobre questões teológicas, de justiça e de ecologia. A resposta deles às questões acima delineadas é que o desafio maior vai além da disseminação de conhecimento e mudança de hábitos.
Todas as ameaças que enfrentamos, na visão deles, são sintomas de uma doença cultural e espiritual afetando a humanidade. Eles afirmam que: “Há uma patologia aguda inerente ao sistema que atualmente domina e explora o mundo”. Eles identificam a pobreza e a desigualdade, o esgotamento da Terra e o envenenamento da vida como os três principais sintomas desta patologia e eles observam que “as mesmas forças e ideologias que exploram e excluem os pobres estão também devastando toda a comunidade de vida do planeta Terra”.
Para superar este estado patológico, os autores argumentam, será necessária uma mudança fundamental da consciência humana. Eles escrevem que “de uma maneira muito real, nós somos chamados a nos reinventar como espécie”. Eles se referem a este processo de profunda transformação como ‘libertação’, na mesma maneira em que este termo é usado na tradição de Teologia da Libertação; quer dizer, no nível pessoal como forma de realização ou iluminação espiritual e no nível coletivo como a procura de um povo de se libertar de opressões.
No meu entendimento, este duplo uso do conceito de ‘libertação’ é o que dá a este livro seu caráter único, permitindo aos autores integrar as dimensões sociais, políticas, econômicas, ecológicas, emocionais e espirituais da atual crise global.
Como Hathaway e Boff dizem no prólogo, O Tao da Libertação é a procura pela necessária sabedoria para efetuar profundas transformações liberadoras no nosso mundo. Se dando conta que esta sabedoria não pode ser encapsulada por palavras, eles decidiram descrevê-la através do uso do antigo conceito Chinês Tao (‘o Caminho’) significando tanto o caminho espiritual do individuo como a maneira de ser do próprio universo. De acordo com a tradição Taoista a realização espiritual acontece quando agimos em harmonia com a natureza. Nas palavras do clássico texto Chinês Huai Nan Tzu: “Aqueles que seguem o fluxo da natureza na corrente do Tao”.
Neste livro, a procura pela necessária sabedoria para efetuar as mudanças de uma sociedade obcecada por crescimento ilimitado e por consumo material para uma civilização equilibrada e sustentadora de toda a vida envolve duas etapas. A primeira etapa envolve compreender os obstáculos reais que bloqueiam o nosso caminho de transformação libertadora. A segunda etapa envolve a formulação de uma ‘cosmologia de libertação’ – uma visão do futuro que é, como diz Thomas Berry, “suficientemente fascinante para nos respaldar durante a transformação do projeto humano que está atualmente em desenvolvimento”.
Os múltiplos e interdependentes obstáculos explorados por Hathaway e Boff são causados por nossas estruturas políticas e econômicas, reforçadas por uma visão do mundo mecânica, determinista e subjetiva como sentimento de impotência, negação e desespero. Os obstáculos sistêmicos externos são argumentados em grande detalhe. Estes incluem a ilusão de crescimento ilimitado num planeta finito, o poder excessivo das corporações, um sistema financeiro parasita e a tendência de monopolizar o conhecimento e impor, usando a adequada expressão de Vandana Shiva, “monoculturas de mentes”.
Os autores explicam que estes obstáculos externos são reforçados por sistemas opressivos de educação, pela manipulação dos meios de comunicação, por um consumismo generalizado e por ambientes artificiais – especialmente áreas urbanas – que nos isolam da natureza viva.
Para suplantar o sentimento de impotência, que pode se manifestar em várias formas como vício e ganância, negação, dificuldade de raciocínio e desespero, os autores sugerem que nós precisamos expandir a nossa percepção do ‘eu’. Nós precisamos aprofundar a nossa capacidade para compaixão, para construir comunidades, para solidariedade e precisamos acordar o nosso senso de pertença para com a Terra, e assim redescobrir o nosso ‘eu-ecológico’. Eles sugerem que nós devemos “concentrar nas coisas que realmente nos dão regozijo, que nos dão prazer – passar tempo com os amigos, fazer caminhadas ao ar livre, escutar música, ou se deliciar com uma simples refeição.” A maioria das coisas que nos dão realmente prazer, eles identificam, custam pouco ou são gratuitas.
Contudo, para realmente despertar e se reconectar, nós também precisamos um novo entendimento da realidade e um novo senso do lugar da humanidade no cosmo. Nós precisamos “uma cosmologia vital e fundamental”. Os autores usam o termo “cosmologia” no sentido de uma concepção comum de entender o universo que dá sentido a nossas vidas. Eles contrapõem a “cosmologia da libertação” que agora vai surgindo à “cosmologia da dominação”, que inclui “a cosmologia de aquisição e consumo”, que domina as sociedades modernas e industrializadas.
Hathaway e Boff afirmam que um novo entendimento do cosmo está surgindo a partir da ciência moderna, o qual é muito parecido as cosmologias aborígenes. Entretanto, ao contrario da maioria destas cosmologias, essa nova e científica visão do mundo projeta um universo em evolução e, portanto é um paradigma conceptual ideal para as transformações libertadoras que tanto necessitamos.
Para defender esse ponto, os autores recorrem a vários pensadores contemporâneos – filósofos, teólogos, psicólogos e especialistas em ciências naturais. Dentre a vasta gama de idéias, modelos e teorias discutidas por eles, nem todas são compatíveis entre si; algumas são “esotéricas” e definitivamente fora dos parâmetros da ciência convencional; e algumas vezes os autores extraem conclusões que vão além da ciência corrente. Não obstante, eles são admiravelmente bem sucedidos na demonstração do surgimento de um novo, coerente e científico entendimento da realidade.
Na vanguarda da ciência contemporânea, o universo não é mais visto como um aparato mecânico composto de simples elementos fundamentais. Foi descoberto que o mundo material, em última análise, é uma rede de inseparáveis modelos de relacionamentos; que o nosso planeta é uma totalidade viva e um sistema auto-regulatório. O entendimento do corpo humano como uma máquina e da mente como uma entidade à parte está sendo substituída por outro que concebe o cérebro, o sistema imunológico, tecidos orgânicos e mesmo células como sistemas viventes e cognitivos.
Evolução não é mais vista como uma luta competitiva por existência, mas como uma dança cooperativa impulsionada por criatividade e pela constante emergência do novo. E com essa nova ênfase em complexidade, em redes e em padrões de organização, uma nova “ciência de qualidade” está surgindo lentamente.
Os autores também argumentam, corretamente em nossa opinião, que esta nova cosmologia científica é completamente compatível com a dimensão espiritual da libertação. Eles nos lembram que, dentro da tradição cristã deles mesmos, o significado original da palavra espírito – ruha em Aramaico, ou ruach em Hebraico – era o sopro da vida. Este era também o significado original das palavras spiritus, anima, pneuma e de outras antigas palavras para “alma” ou “espírito”. A experiência espiritual, então, é primeiro de tudo a experiência de vida. A percepção central desse tipo de experiência, de acordo com numerosos testemunhos, é um profundo sentimento de unidade com o todo, um sentimento de pertença para com o universo em sua totalidade.
Este sentimento de unidade com o mundo natural é confirmado pela nova concepção da vida da ciência contemporânea. Quando entendemos que as raízes da vida são fundadas em básicos princípios químicos e físicos, que o desenvolvimento de complexidades começou muito antes do aparecimento das primeiras células e que a vida evoluiu durante bilhões de anos através do constante uso dos mesmos padrões e processos, nós percebemos a nossa firme conexão com todo o tecido da vida.
Este entendimento de sermos conectados com toda natureza é especialmente forte em ecologia. Conectividade, relacionamento e interdependência são conceitos fundamentais da ecologia, e conectividade, relacionamento e pertença são essenciais à experiência espiritual. Então, a ecologia parece ser uma ponte ideal entre a ciência e a espiritualidade.
Com toda certeza e razão, Hathaway e Boff defendem uma “ecologia espiritual” essencialmente preocupada com o futuro do planeta Terra e de toda a humanidade.
Eles salientam que há singulares discernimentos e abordagens ecológicas em todas as religiões e eles nos encorajam a ver essa diversidade de ensinamentos como um ponto forte e não como uma ameaça. “Cada um de nós deve verificar novamente nossas próprias tradições espirituais”, os autores sugerem, “procurar discernimentos que nos dirijam à reverência de toda a vida, a uma ética da partilha e de cuidado, a uma visão do sagrado encarnado no cosmo”.
O Tao da Libertação também contém várias sugestões reais de metas, estratégias e políticas para a execução de ações transformativas para que possamos implementar uma sociedade justa e ecologicamente sustentável. Dois tópicos são discutidos em grande detalhe: o bio-regionalismo baseado no conceito de recuperação da conexão com a natureza no nível local; e a Carta da Terra que é “um verdadeiro sonho de liberação para a humanidade” e que tem como princípios primeiro o respeito e o cuidado para com a comunidade da vida.
Nós estamos nos aproximando de uma encruzilhada na história da humanidade e assim os leitores deste livro vão se deparar com uma riqueza de idéias e profundos discernimentos sobre as mudanças necessárias na consciência humana e sobre as transformações radicais que devemos implementar no nosso mundo. Dentre estas idéias, a mais importante e profunda, é talvez, a idéia central do argumento dos autores. Ao invés de se ver a transição para uma sociedade sustentável primeiramente em termos de limites e restrições, Hathaway e Boff eloquentemente propõem uma nova e convincente concepção de sustentabilidade como forma de libertação.
                          Fritjof Capra
22 de Abril de 2009, Berkeley, EUA, Dia Internacional da Mãe Terra.

Acupuntura e Medicina Baseada em Evidências!

Cientistas deram mais um passo importante para compreender como o simples espetar de algumas agulhas no corpo é capaz de aliviar a dor, adicionando suporte científico à sabedoria milenar.
Por: Diário da Saúde - 09/09/2010

Acupuntura turbinada
Cientistas deram mais um passo importante para compreenderem como o simples espetar de algumas agulhas no corpo é capaz de aliviar a dor.
Em um artigo publicado na revista Nature Neuroscience, a equipe da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, identificou a molécula adenosina como um elemento central na ativação no corpo de alguns dos efeitos da acupuntura.
Partindo desse novo conhecimento, os cientistas foram capazes de triplicar os efeitos benéficos da acupuntura em camundongos por meio da adição de um medicamento aprovado para tratar a leucemia.

Adenosina
A adenosina é um composto natural conhecido por seu papel na regulação do sono, por seus efeitos sobre o coração, e pelas suas propriedades anti-inflamatórias.
Mas a adenosina também atua como um analgésico natural, tornando-se ativa na pele após um ferimento para inibir os sinais nervosos e aliviar a dor de uma forma semelhante ao que faz a lidocaína.
No estudo, os cientistas descobriram que esta substância química é também muito ativa nos tecidos mais profundos afetados pela acupuntura.
Os pesquisadores analisaram os efeitos da acupuntura no sistema nervoso periférico - os nervos do nosso corpo que não são parte do cérebro e da medula espinhal.

Base científica da acupuntura
Segundo Maiken Nedergaard, as novas descobertas vêm adicionar ainda mais suporte científico à acupuntura.
"A acupuntura tem sido um pilar do tratamento médico em algumas partes do mundo por 4.000 anos, mas, como ela ainda não foi compreendida completamente, muitas pessoas se mantiveram céticas", afirma Nedergaard.
A pesquisa complementa um rico corpo de trabalhos que mostram que, no sistema nervoso central, a acupuntura cria sinais que levam o cérebro a produzir as endorfinas, analgésicos naturais.
"Neste trabalho, nós fornecemos informações sobre um mecanismo físico pelo qual a acupuntura reduz a dor no corpo," acrescenta a pesquisadora.

Acupuntura três vezes melhor
Assim que reconheceram o papel da adenosina, os cientistas começaram a explorar os efeitos de uma droga contra o câncer, chamado deoxicoformicina, que dificulta a remoção da adenosina pelos tecidos.
O composto aumentou dramaticamente os efeitos do tratamento com acupuntura, quase triplicando o acúmulo de adenosina nos músculos e mais do que triplicando o tempo de eficácia do tratamento.
"É claro que a acupuntura pode ativar uma série de mecanismos diferentes," acrescenta Josephine P. Briggs, coautora do estudo. "Este estudo extremamente cuidadoso identificou a adenosina como um novo participante nesse processo. É uma contribuição interessante para a nossa crescente compreensão da complexa intervenção que é a acupuntura."

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Exu o Grande Arcano - 4ª Edição Segunda Reimpressão

Gostaríamos de lembrar que foi lançada a 2ª reimpressão da 4ª edição do Livro "Exu - O Grande Arcano". Seguem algumas fotos: http://twitpic.com/5dkme3 - 1ª Capa do Livro "Exu - O Grande Arcano" - 2ª reimpressão


 O livro pode ser adquirido nas maiores livrarias ou diretamente na FTU pelo telefone             (11) 5031-8852 begin_of_the_skype_highlighting            (11) 5031-8852      end_of_the_skype_highlighting      

terça-feira, 26 de julho de 2011

Internacionalização da Amazônia

Durante debate em uma universidade, nos Estados Unidos,o ex-governador do DF, ex-ministro da educação e atual senador CRISTÓVAM BUARQUE, foi questionado
sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia.

O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um brasileiro.
Esta foi a resposta do Sr.Cristóvam Buarque:
De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.

"Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.

"Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro.O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia
para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou
diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço."

"Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser
internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país.
Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

"Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França.
Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural Amazônico, seja manipulado e instruído pelo gosto de um proprietário
ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês,decidiu enterrar com ele, um quadro de
um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

"Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York,
como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua historia do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.

"Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas
mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maiores do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

"Defendo a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola.
Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro.

"Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo.
Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia
seja nossa. Só nossa!

domingo, 24 de julho de 2011

IBAMA e o extermínio programado dos Indígenas Brasileiros.

Em entrevista ao programa australiano 60 Minutos, o atual presidente do IBAMA, Curt Trennepohl, afirmou que seu trabalho não é cuidar do meio ambiente, mas minimizar os impactos ambientais. A edição do programa abordou a polêmica em torno da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, na bacia do rio Xingu, no Pará.

Ao responder que estava com a consciência tranquila com a decisão de autorizar o início das obras, Trennepohl foi confrontado pela jornalista.
Visivelmente irritado, Trennepohl cortou a entrevista quando a jornalista Allison Langdon afirmou que os povos indígenas do Xingu não estão dormindo bem por causa da decisão do IBAMA de autorizar o início das obras.
Mas, quando o cinegrafista saiu da sala, o presidente do IBAMA falou o que realmente pensa sobre os povos do Xingu, sem se dar conta que ainda estava com o microfone ligado.
Resumindo, Trennepohl afirmou que o Brasil fará com os povos indígenas o mesmo que a Austrália fez com os aborígenes, que foram exterminados por colonos britânicos que ocuparam a ilha ao longo do século 19.

Inteligencia Espiritual - Dana Zohar

No início do século XX, o QI era a medida definitiva da inteligência humana. Na década de 90, a descoberta da inteligência emocional (QE) mostrou que não bastava o sujeito ser um gênio se não soubesse lidar com as emoções. No novo milênio as descobertas da ciência apontam para a Inteligência Espiritual (QS), responsável pelo significado da existência humana.

Essa tese vem demonstrada por Danah Zohar física e filósofa americana juntamente com o marido, o psiquiatra Ian Marshall, no livro "A Inteligência Espiritual", (QS = do inglês Spiritual Quocient), no qual demonstram o "Ponto de Deus" no cérebro, uma área que seria responsável pelas experiências espirituais das pessoas. Danah tem sido procurada por grandes companhias interessadas em desenvolver o quociente espiritual de seus funcionários e dar mais sentido ao seu trabalho. Por isso, está surgindo um novo tipo de empresa, que se preocupa sim, com o lucro, mas quer ganhar dinheiro para desenvolver as comunidades em que atua, proteger o meio ambiente, propagar educação e saúde.


No livro QS - Inteligência Espiritual, lançado no ano passado, a fí­sica e filósofa americana Dana Zohar aborda um tema tão novo quanto polêmico: a existência de um terceiro tipo de inteligência que aumenta os horizontes das pessoas, torna-as mais criativas e se manifesta em sua necessidade de encontrar um significado para a vida. Ela baseia seu trabalho sobre Quociente Espiritual (QS) em pesquisas só há pouco divulgadas de cientistas de várias partes do mundo que descobriram o que está sendo chamado "Ponto de Deus" no cérebro, uma área que seria responsável pelas experiências espirituais das pessoas. O assunto é tão atual que foi abordado em recentes reportagens de capa pelas revistas americanas Neewsweek e Fortune. Afirma Dana: "A inteligência espiritual coletiva é baixa na sociedade moderna. Vivemos numa cultura espiritualmente estúpida, mas podemos agir para elevar nosso quociente espiritual".

Aos 57 anos, Dana vive em Inglaterra com o marido, o psiquiatra Ian Marshall, co-autor do livro, e com dois filhos adolescentes. Formada em fí­sica pela Universidade de Harvard, com pós-graduação no Massachusetts Institute of Tecnology (MIT), ela atualmente leciona na universidade inglesa de Oxford. É autora de outros oito livros, entre eles, O Ser Quântico e A Sociedade Quântica, já traduzidos para português. QS - Inteligência Espiritual já foi editado em 27 idiomas, incluindo o português (no Brasil, pela Record). Dana tem sido procurada por grandes companhias interessadas em desenvolver o quociente espiritual de seus funcionários e dar mais sentido ao seu trabalho. Ela falou à EXAME em Porto Alegre durante o 300 Congresso Mundial de Treinamento e Desenvolvimento da International Federation of Training and Development Organization (IFTDO), organização fundada na Suécia, em 1971, que representa 1 milhão de especialistas em treinamento em todo o mundo. Eis os principais trechos da entrevista:

O que é inteligência espiritual?
É uma terceira inteligência, que coloca nossos atos e experiências num contexto mais amplo de sentido e valor, tornando-os mais efetivos. Ter alto quociente espiritual (QS) implica ser capaz de usar o espiritual para ter uma vida mais rica e mais cheia de sentido, adequado senso de finalidade e direção pessoal. O QS aumenta nossos horizontes e nos torna mais criativos. É uma inteligência que nos impulsiona. É com ela que abordamos e solucionamos problemas de sentido e valor. O QS está ligado à necessidade humana de ter propósito na vida. É ele que usamos para desenvolver valores éticos e crenças que vão nortear nossas ações.

De que modo essas pesquisas confirmam suas idéias sobre a terceira inteligência?
Os cientistas descobriram que temos um "Ponto de Deus" no cérebro, uma área nos lobos temporais que nos faz buscar um significado e valores para nossas vidas. É uma área ligada à experência espiritual. Tudo que influência a inteligência passa pelo cérebro e seus prolongamentos neurais. Um tipo de organização neural permite ao homem realizar um pensamento racional, lógico. Dá a ele seu QI, ou inteligência intelectual. Outro tipo permite realizar o pensamento associativo, afetado por hábitos, reconhecedor de padrões, emotivo. É o responsável pelo QE, ou inteligência emocional. Um terceiro tipo permite o pensamento criativo, capaz de insights, formulador e revogador de regras. É o pensamento com que se formulam e se transformam os tipos anteriores de pensamento. Esse tipo lhe dá o QS, ou inteligência espiritual.

Qual a diferença entre QE e QS?
É o poder transformador. A inteligência emocional me permite julgar em que situação eu me encontro e me comportar apropriadamente dentro dos limites da situação. A inteligência espiritual me permite perguntar se quero estar nessa situação particular. Implica trabalhar com os limites da situação. Daniel Goleman, o teórico do Quociente Emocional, fala das emoções. Inteligência espiritual fala da alma. O quociente espiritual tem a ver com o que algo significa para mim, e não apenas como as coisas afetam minha emoção e como eu reajo a isso. A espiritualidade sempre esteve presente na história da humanidade.
No iní­cio do século 20, o QI era a medida definitiva da inteligência humana. Só em meados da década de 90, a descoberta da inteligência emocional mostrou que não bastava o sujeito ser um gênio se não soubesse lidar com as emoções. A ciência começa o novo milênio com descobertas que apontam para um terceiro quociente, o da inteligência espiritual. Ela nos ajudaria a lidar com questões essenciais e pode ser a chave para uma nova era no mundo dos negócios.

Dana Zohar identificou dez qualidades comuns às pessoas espiritualmente inteligentes. Segundo ela, essas pessoas:

1. Praticam e estimulam o autoconhecimento profundo.
2. São levadas por valores. São idealistas.
3. Têm capacidade de encarar e utilizar a adversidade.
4. São holísticas.
5. Celebram a diversidade.
6. Têm independência.
7. Perguntam sempre "por quê?"
8. Têm capacidade de colocar as coisas num contexto mais amplo.
9. Têm espontaneidade.
10.Têm compaixão.
Fontes:

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Face à crise: quatro princípios e quatro virtudes

por Leonardo Boff

A frase de Einstein goza de plena atualidade: “o pensamento que criou a crise não pode ser o mesmo que vai superá-la”. É tarde demais para fazer só reformas. Estas não mudam o pensamento. Precisamos partir de outro, fundado em princípios e valores que possam sustentar um novo ensaio civilizatório. Ou então temos que aceitar um caminho que nos leva a um precipício. Os dinossauros já o percorreram.
Meu sentimento do mundo me diz que quatro princípios e quatro virtudes serão capazes de garantir um futuro bom para a Terra e à vida. Aqui apenas os enuncio sem poder aprofundá-los, coisa que fiz em várias publicações nos últimos anos.
O primeiro é o cuidado. É uma relação de não agressão e de amor à Terra e a qualquer outro ser. O cuidado se opõe à dominação que caracterizou o velho paradigma. O cuidado regenera as feridas passadas e evita as futuras. Ele retarda a força irrefreável da entropia e permite que tudo possa viver e perdurar mais. Para os orientais o equivalente ao cuidado é a compaixão; por ela nunca se deixa o outro que sofre abandonado, mas se caminha, se solidariza e se alegra com ele.
O segundo é o respeito. Cada ser possui um valor intrínseco, independetemente de seu uso humano. Expressa alguma potencialidade do universo, tem algo a nos revelar e merece exisitir e viver. O respeito reconhece e acolhe o outro como outro e se propõe a conviver pacificamente com ele. Ético é respeitar ilimitadamene tudo o que existe e vive.
O terceiro é a responsabilidade universal. Por ela, o ser humano e a sociedade se dão conta das consequências benéficas ou funestas de suas ações. Ambos precisam cuidar da qualidade das relações com os outros e com a natureza para que não seja hostil mas amigável à vida. Com os meios de destruição já construidos, a humanidade pode, por falta de responsabilidade, se autoeliminar e danificar a biosfera.
O quarto princípio é a cooperação incondicional. A lei universal da evolução não é a competição com a vitória do mais forte mas a interdependência de todos com todos. Todos cooperam entre si para coevoluir e para assegurar a biodiversidade. Foi pela cooperação de uns com os outros que nossos ancestrais se tornaram humanos. O mercado globalizado se rege pela mais rígida competição, sem espaço para a cooperação. Por isso, campeiam o individualismo e o egoismo que subjazem à crise atual e que impediram até agora qualquer consenso possível face às mudanças climáticas.
Os quatro princípios devem vir acolitados por quatro virtudes, imprescindíveis para a consolidação da nova ordem.
A primeira é a hospitalidade, virtude primacial, segundo Kant, para a república mundial. Todos tem o direito de serem acolhidos o que correspode ao dever de acolher os outros. Esta virtude será fundamental face ao fluxo dos povos e aos milhões de refugiados climáticos que surgirão nos próximos anos. Não deve haver, como há, extra-comunitários.
A segunda é a convivência com os diferentes. A globalização do experimento homem não anula as diferenças culturais com as quais devemos aprender a conviver, a trocar, a nos complementar e a nos enriquecer com os intercâmbios mútuos.
A terceira é a tolerância. Nem todos os valores e costumes culturais são convergentes e de fácil aceitação. Dai impõe-se a tolerância ativa de reconhecer o direito do outro de existir como diferente e garantir-lhe sua plena expressão.
A quarta é a comensalidade. Todos os seres humanos devem ter acesso solidário e suficiente aos meios de vida e à seguridade alimentar. Devem poder sentir-se membros da mesma família que comem e bebem juntos. Mais que a nutrição necessária, trata-se de um rito de confraternização e de comunhão com a natureza.
Todos os esforços serão em balde se a Rio+20 de 2012 se limitar à discussão apenas de medidas práticas para mitigar o aquecimento global, sem discutir outros princípios e valores que podem gerar um consenso mínimo entre todos e assim conferir sustentabilidade à nossa civilização. Caso contrário, a crise continuará sua corrosão até se transformar num tragédia. Temos meios e ciência para isso. Só nos faltam vontade e amor à vida, à nossa, e a de nossos filhos e netos. Que o Espírito que preside à história, não nos falte.
Leonardo Boff é autor de Saber cuidar: ética do humano-compaixão pela Terra, Vozes 1999.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Sagrado e o urbano (O): Diversidades, manifestações e análise

Título: Sagrado e o urbano (O): Diversidades, manifestações e análise

Organizadores: Mauro Passos, Paulo Agostinho Nogueira Baptista e Wellington Teodoro da Silva
Resumo: A obra reúne as contribuições que foram objeto de debate no VII Simpósio da ABHR e 1º Simpósio de Ciências da Religião da PUC – Minas em torno da problemática atual do sagrado em algumas manifestações religiosas que se podem observar no Brasil. Depois de uma análise das causas da situação de pluralismo secularizado em que vivemos, são abordados alguns temas relativos a certas formas históricas da educação católica, ao uso da mídia pelos evangélicos, e às manifestações das religiões afro-brasileiras. Discute-se igualmente a relação do simbólico com a política e com o poder. No conjunto temos uma amostragem significativa das questões que são hoje objeto do número crescente de cursos de Ciências da Religião, que se difundem nas instituições universitárias brasileiras.

Religião e Violência em tempos de Globalização

Título:Religião e Violência em tempos de Globalização
Organizadores: Mabel Salgado Pereira e Lyndon de A. Santos
Resumo: O volume está dividido em três partes: I) Recortes da globalização e o desafio da violência; II) Abordagens da relação entre religião e violência; III) Perspectivas históricas da violência nas religiões. Os artigos apresentados neste volume repõem na pauta de preocupações palavras como intolerância, fundamentalismo e fanatismo, articulando globalização, violência e religião a partir da conjuntura formada pelos acontecimentos recentes tanto no Brasil como no mundo.

Releitura da Ritualística de W. W. da Matta e Silva

FTU na SOTER: Mais uma vitória das Religiões Afro-brasileiras e homenagem ao amigo José Flávio

A ''nova classe média'' e as perspectivas de um novo cenário religioso brasileiro

A possível mudança do cenário religioso brasileiro tendo em vista a emergência da assim chamada "nova classe média" é discutida por Brenda Carranza, Joel Portella Amado, Jorge Claudio Ribeiro, Leonildo Silveira Campos, Lucia Ribeiro e Silvia Fernandes.


Brenda Carranza, professora na PUC-Campinas, atribui o avanço neopentecostal ao preenchimento de vazios deixados pelas instituições religiosas em geral, e pelo catolicismo em particular.

Joel Portella Amado, professor na PUC-Rio, considera que um bom caminho espiritual para as chamadas novas classes médias passa não apenas por relações fraternas entre os membros das comunidades, mas também pelo contato direto com os crucificados da terra e, pensando ecologicamente, com a Terra crucificada.

Na visão de Jorge Claudio Ribeiro, professor na PUC-SP, a ascensão econômica e cultural dos brasileiros vai gerar uma nova postura frente às religiões.

Leonildo Silveira Campos, professor na Umesp, identifica no cenário atual o surgimento de um tipo de religiosidade nômade, de uma espiritualidade sem igreja, que mantenha com mais força o interesse e experiência individual de cada um.

Já a socióloga Lucia Ribeiro aponta que entender as necessidades específicas da chamada nova classe média é um desafio para as religiões.

A socióloga Silvia Fernandes, professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, defende que as Igrejas que pretendem recuperar os seus fiéis devem estar atentas às demandas desses indivíduos e atuar numa lógica de apoio, solidariedade e presença e menos numa lógica normativa e tradicionalista.

Carlos Roberto Velho Cirne-Lima, filósofo gaúcho, recentemente celebrou o seu 80º aniversário. Nesta edição ele narra a sua trajetória acadêmica, profissional e pessoal.
http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?secao=366

Sociologia: Livro Didático para o Ensino Médio


O Ministério da Educação lançou, no final do ano passado, o volume “Sociologia”, da Coleção Explorando o Ensino.
O livro, organizado pela Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS) para uso em escolas do ensino médio, conta com diversos capítulos que abordam temas antropológicos, escritos por colegas de renome na área. Entre os temas, destacam-se: “Religião: sistema de crenças, feitiçaria e magia”, de Paula Montero, “Cultura e alteridade”, de Júlio Assis Simões e Emerson Giumbelli, “Família e Parentesco”, de Claudia Fonseca e Andrea Cardarello, e “Grupos étnicos e etnicidades”, de Antonio Carlos de Souza Lima e Sergio Ricardo Rodrigues Castilho, texto este que destaca a produção da ABA no campo. O livro está disponível para download no site da ABA. Acesse aqui