"Somos todos viajantes de uma jornada cósmica - poeira de estrelas, girando e dançando nos torvelinhos e redemoinhos do infinito. A vida é eterna. Mas suas expressões são efêmeras, momentâneas, transitórias. " Deepak Chopra

terça-feira, 31 de maio de 2011

OMS anuncia que celular pode aumentar risco de câncer

A radiação de telefones celulares pode causar câncer, anunciou a OMS (Organização Mundial de Saúde) nesta terça-feira. A agência lista o uso do telefone móvel como "possivelmente cancerígeno", mesma categoria do chumbo, escapamento de motor de carro e clorofórmio. A informação foi publicada no site CNN Health.
Antes do anúncio de hoje, a OMS havia garantido aos consumidores que a radiação não tinha sido relacionada a nenhum efeito nocivo à saúde.


Uma equipe de 31 cientistas de 14 países, incluindo Estados Unidos, tomou a decisão depois de analisar estudos revisados por especialistas sobre a segurança de telefones celulares.
A equipe encontrou provas suficientes para classificar a exposição pessoal como "possivelmente cancerígena para os seres humanos."
Isto significa que não existem estudos suficientes a longo prazo para concluir se a radiação dos telefones celulares é segura, mas há dados suficientes que mostram uma possível conexão, e que os consumidores devem ser alertados.
O tipo de radiação que sai de um telefone celular é chamado de não ionizante. Não é como um raio-X, mas mais como um forno de micro-ondas de baixa potência.
"O que a radiação do celular faz, em termos mais simples, é semelhante ao que acontece aos alimentos no micro-ondas: cozinha o cérebro", disse Keith Black ao site da CNN, neurologista do Centro Médico Cedars-Sinai, em Los Angeles.
A OMS classifica os fatores do ambiente em quatro grupos: cancerígenos --ou causadores de câncer-- para o homem; possivelmente cancerígeno para os seres humanos; não classificados quanto ao risco de câncer para o homem; e provavelmente não cancerígeno para os seres humanos.
O tabaco e o amianto estão na categoria "cancerígeno para os seres humanos". Chumbo, escapamento do carro e clorofórmio estão listados como "possivelmente cancerígeno para os seres humanos".
O anúncio foi feito do escritório da OMS em Lyon, na França, após o número crescente de pedidos de cautela sobre o risco potencial da radiação do celular.
A Agência Europeia do Ambiente pediu mais estudos, dizendo que os telefones celulares podem ser tão nocivos para a saúde pública quanto o tabaco, o amianto e a gasolina.
O líder de um instituto de pesquisa do câncer da Universidade de Pittsburgh enviou um memorando a todos os funcionários, pedindo a diminuição do uso do celular por causa de um possível risco de câncer.
A indústria de telefonia celular afirma que não há provas conclusivas de que a radiação dos aparelhos cause impacto sobre a saúde dos usuários.
O anúncio de hoje pode ser um divisor de águas para as normas de segurança. Os governos costumam usar a lista da Organização Mundial de classificação de risco cancerígeno como orientação para as recomendações de regulamentação ou ações.

Homenagem ao Prof. e Sacerdote José Flávio Pessoa de Barros



domingo, 29 de maio de 2011

III Simpósio Internacional de Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

31 de agosto, 1 e 2 de setembro de 2011.



O título proposto para o evento é Teologia e experiências religiosas: desafios e contribuições. O III Simpósio de Teologia da PUC-Rio visa promover um fórum de reflexão e de debate - a partir do tema do diálogo interreligioso - objetivando fomentar novas pesquisas e o desenvolvimento de novas contribuições que contemplem a diversidade do fenômeno religioso.



Os objetivos do III Simpósio são:

- Divulgar a produção científica e acadêmica em temas relativos ao pluralismo religioso.

- Promover e incentivar a integração entre pesquisa, ensino e extensão, gerando parâmetros para a pastoral.

- Aumentar o intercâmbio entre os diversos pesquisadores, profissionais e estudantes na temática.



O Simpósio irá acolher trabalhos nas seguintes áreas: Teologia, Ciências da Religião e Filosofia. Também acolherá comunicações de outras áreas – em perspectiva interdisciplinar - desde que o enfoque esteja dentro do tema proposto pelo Simpósio.



Adiante seguem informações preliminares, que solicitamos a gentileza de serem divulgadas.



Atenciosamente,



Comissão Organizadora

http://www.facebook.com/l/8d3f6h1OfyYJXPDluQHbK-xLf_w/www.simposiopucrio.teo.br)

(contato@simposiopucrio.teo.br)





Submissão de resumos para comunicações: de 02 / 05 / 2011 até 19 / 06 / 2011 (http://www.facebook.com/l/8d3f6h1OfyYJXPDluQHbK-xLf_w/www.simposiopucrio.teo.br) (contato@simposiopucrio.teo.br)



Divulgação das comunicações aprovadas: 30 / 06 / 2011



Submissão de texto completo: 30 / 07 / 2011


** ATENÇÃO: Favor não utilizar a opção responder e-mail. Submeta as propostas exclusivamente para os endereços acima.


A proposta para comunicações deverá seguir a seguinte formatação:

- Formato.rtf (ou Word 97-2003)

- III Simpósio Internacional PUC-Rio

- Título da Comunicação [centralizado e em negrito]

- Nome do (a) autor (a)

- Titulação e IES (Instituição de Ensino Superior)

- Resumo da proposta em até 1800 caracteres (com espaço)

- Fonte: Times New Roman, tamanho 12

- Margens: Esquerda e superior 3.0, Direita e inferior 2.0

- Espaçamento entre linhas de 1,5

- e-mail para contato e recebimento das propostas de comunicações

Comunicações para o III Simpósio de Teologia PUC-Rio

Regras para o envio de propostas de comunicação individual ou em co-autoria.

Cada pesquisador (a) poderá inscrever mais de uma proposta de comunicação

                     III Simpósio de Teologia da PUC-Rio
www.simposiopucrio.teo.br

sábado, 28 de maio de 2011

Religiões Afro-Brasileiras e Reatualização Iniciática

Religiões Afro-Brasileiras e Tradição Oral

O Poder das ervas nas Religiões Afro-Brasileiras

Toque com os Encantados nas Religiões Afro-Brasileiras

Vale a pena conferir!!!

http://sacerdotemedico.blogspot.com/2011/05/candomble-de-caboclo-aproximando-as.html

O PSDB inicia o exorcismo de Serra


O homem que não vacilou em praticar todas as infâmias e deslealdades, que colocou seus cães de guarda para atacar jornalistas, aliados, até familiares de ex-amigos, pelo simples fato de eles  terem entendido e desmascarado sua mediocridade e falta de escrúpulos.
A maneira como conduziu a mídia na exploração da intolerância, do preconceito, a absoluta falta de vontade política de mudar, ainda que timidamente, o destino do país e de São Paulo, a maneira torpe como se aliou à parte mais podre do capital financeiro, tudo isso ainda será objeto de estudos, análises, sobre o pior político que a democracia brasileira produziu em sua história recente.

Convenção do PSDB: Serra sai derrotado na disputa pela presidência do Instituto Teotônio Vilela

Publicada em 28/05/2011 às 13h09m
Maria Lima, Catarina Alencastro e Adriana Vasconcelos
SÍLIA - Após três horas de reunião, o ex-governador José Serra (SP) saiu derrotado na disputa pelo Instituto Teotônio Vilela, do PSDB. Serra recuou e aceitou o Conselho Político, que será criado pela Executiva Nacional do PSDB. Farão parte do conselho o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso; o governador de Goiás, Marconi Perillo; o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin; e Sérgio Guerra. O conselho terá poder deliberativo para formulação de propostas para o partido, além de autonomia financeira e operacional
A cúpula tucana chegou à convenção do partido - no Centro Empresarial 21, em Brasília - com mais de três horas de atraso. A madrugada foi de intensas e tensas negociações entre os grupos do senador Aécio Neves (MG) e de Serra, com a participação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Os três e o governador Geraldo Alckmin reuniram-se em um apartamento em Brasília em busca de uma tentativa de desfecho para o impasse à realização do convenção do partido.
Serra ameaçou não comparecer ao encontro nacional do partido se não fosse atendida sua reivindicação de presidir o Instituto Teotônio Vilela, a fundação do PSDB responsável pela elaboração de estudos e definição de estratégias partidárias. A presidência do instituto já havia sido oferecida ao ex-senador Tasso Jereissatti pela bancada do PSDB no Senado, sob patrocínio de Aécio Neves. Em troca, foi oferecida a Serra a presidência do Conselho Político.
O presidente da legenda, Sérgio Guerra, prometeu ampliar as atribuições do Conselho, dando ao colegiado poderes de decisão, estrutura e orçamento, para que Serra aceitasse. Esse acordo teria sido fechado na manhã de sábado, mas ainda não foi anunciado.
Aécio tomou café da manhã com 40 deputados tucanos e disse que ficou acordado até as 4h conversando com os caciques do partido sobre o impasse. Até a madrugada, não havia acordo sobre quem vai presidir o Instituto Teotônio Vilela. O deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), que esteve com Aécio de manhã, comentou:
- Se a reunião (entre os caciques do PSDB) não tiver acabado até 11h30m, vou começar a me preocupar, independentemente do desfecho. Acho que o Serra funcionaria muito bem como um cabo eleitoral dos candidatos do PSDB (a prefeito) nas capitais, no ano que vem.
Na convenção, José Serra não conta com uma forte mobilização. A guerra de claques da juventude ocorre entre Goiás e Minas Gerais. Uma grita "Brasil urgente Marconi presidente" e a outra responde, "Brasil pra frente Aécio presidente".
O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), disse que o senador mineiro Aécio Neves está em situação mais favorável na disputa à presidência da República em 2014. No entanto, ele considera que é "extemporânea" a discussão. Beto Richa defendeu a unidade partidária.
- Os tucanos esperam que o partido possa sair unido hoje e que prevaleça o desprendimento, pois as disputas internas quando mal resolvidas enfraquecem o partido - afirmou.
O senador tucano Álvaro Dias (PR) chegou à convenção e minimizou a disputa dentro do partido.
- O partido não tem proprietário. Não se pode dividi-lo entre duas correntes. O caminho ideal é acomodar todas as forças. A responsabilidade do PSDB é oferecer um projeto de poder. O partido não precisa agora de um nome, mas de um projeto. (O partido) se souber superar as divergências sairemos fortalecidos - disse ele.
Questionado sobre o enfraquecimento da oposição - principalmente depois a criação do PSD, partido do prefeito de São Paulo Gilberto Kassab -, o senador afirmou que o esvaziamento da oposição é um fenômeno mundial causado pela "atração fatal" que o poder exerce.
Ele afirmou, no entanto, que a oposição tem feito cobranças duras ao governo da presidente Dilma Rousseff:
- No caso Palocci temos feito oposição com contundência.
Nesta mesma linha, o secretário de Energia de São Paulo, José Aníbal, aproveitou para atacar o governo petista.
- Vamos propor teses novas e ao mesmo tempo ser contundentes com um governo que é inoperante. O Brasil vive um momento de inflação alta - afirmou Aníbal.
O presidente do PTB, Roberto Jefferson, participa do evento. Ele justificou a presença dizendo que na eleição passada o PTB foi aliado do PSDB, e colocou lenha na fogueira na briga travada nos bastidores entre as principais estrelas tucanas, deixando claro que tem lado nessa briga:
- Sou amigo fraterno de Aécio, com Serra não tenho relações. Como dizia meu avô, o homem que não tem lado não tem fundo. Não sou de ficar em cima do muro. A hora é de o Serra mergulhar e lamber a suas feridas pela sua derrota (à presidência da República) - disse Roberto Jefferson, acrescentando ainda creditar que o PSDB vai liderar a oposição. - O país precisa de uma oposição forte. Na hora que tinha que fazer oposição o Serra não fez. Na campanha passada o Serra desqualificou o PSDB quando não respeitou a herança deixada por Fernando Henrique. Não venceu a eleição e desarticulou a oposição.
Parlamentares criticam o governo
O deputado Wanderley Macris (SP) criticou fortemente a falta de autoridade da presidente Dilma em administrar a crise com o ministro:
- Este governo está se deteriorando, se desmilinguindo, porque essa presidente, tirada do bolso do colete do ex-presidente Lula, comprova que é incapaz de administrar essa crise, muito menos de gerenciar os grandes problemas do Brasil.
O deputado estadual Jorge Pozzobom, presidente do PSDB no Rio Grande do Sul, fez muitas ironias ao enriquecimento ainda não explicado de Palocci. Lembrou que ele foi chamado por Dilma de um dos seus "três porquinhos":
- Mas, mesmo na história infantil, o casa de tijolo Prático jamais iria custar R$ 6,6 milhões.
A senadora Marisa Serrano criticou muito a falta de rumo do partido e disse que é preciso definir as bandeiras que o PSDB vai defender nas eleições municipais de 2012:
- Com que discurso vamos subir no palanque se não soubermos as bandeiras que o nosso partido vai defender? Precisamos ressurgir e ter mais próximos de nós o ex-presidente Fernando Henrique. É dele, da sua experiência, que temos buscar as orientações.
O mineiro Paulo Abi-Ackel, líder da minoria, disse que o governo "tenta fazer do Brasil um país de conto de fadas, onde tudo é cor de rosa":
- Mas dirige o Brasil com mão forte de um governo que quer transformar este país numa semiditadura.
Do lado de fora do centro de convenções, um carro de som trazido pelo ex-governador da Paraíba Cássio Cunha Lima para protestar contra a demora no julgamento de seu processo no Supremo Tribunal Federal. Cunha Lima, eleito senador, foi cassado pela Lei da Ficha Limpa e recorreu. Em uma enorme faixa, lê-se 'o povo da Paraíba tem orgulho do nosso senador Cássio Cunha Lima, eleito pelo voto do povo'.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

IGREJA CATÓLICA RECONHECE COMUNICAÇÃO COM OS ESPÍRITOS



Recentemente foi lançado no mercado cultural um livro mediúnico trazendo as reflexões de um padre depois da morte, atribuído, justamente, ao Espírito Dom Helder Camara, bispo católico, arcebispo emérito de Olinda e Recife, desencarnado no dia 28 de agosto de 1999, em Recife (PE). 
livro psicografado pelo médium Carlos Pereira, da Sociedade Espírita Ermance Dufaux, de Belo Horizonte, causou muita surpresa no meio espírita e grande polêmica entre os católicos. O que causou mais espanto entre todos foi a participação de Marcelo Barros, monge beneditino e teólogo, que durante nove anos foi secretário de Dom Helder Câmara, para a relação ecumênica com as igrejas cristãs e as outras religiões.
Marcelo Barros secretariou Dom Helder Câmara no período de 1966 a 1975 e tem 30 livros publicados. Ao prefaciar o livro Novas Utopias, do espírito Dom Helder, reconhecendo a autenticidade do comunicante, pela originalidade de suas idéias e, também, pela linguagem, é como se a Igreja Católica viesse a público reconhecer o erro no qual incorreu muitas vezes, ao negar a veracidade do fenômeno da comunicação entre vivos e mortos, e desse ao livro de Carlos Pereira, toda a fé necessária como o Imprimátur do Vaticano.
É importante destacar, ainda, que os direitos autorais do livro foram divididos em partes iguais, na doação feita pelo médium, à Sociedade Espírita Ermance Dufaux e ao Instituto Dom Helder Câmara, de Recife, o que, aliás, foi aceito pela instituição católica, sem qualquer constrangimento.

No prefácio do livro aparece também o aval do filósofo e teólogo Inácio Strieder e a opinião favorável da historiadora e pesquisadora Jordana Gonçalves Leão, ambos ligados à Igreja Católica. Conforme eles mesmos disseram, essa obra talvez não seja uma produção direcionada aos espíritas, que já convivem com o fenômeno da comunicação, desde a codificação do Espiritismo; mas, para uma grandiosa parcela da população dentro da militância católica, que é chamada a conhecer a verdade espiritual, porque "os tempos são chegados", estes ensinamentos pertencem à natureza e, conseqüentemente, a todos os filhos de Deus.

A verdade espiritual não é propriedade dos espíritas ou de outros que professam estes ensinamentos e, talvez, porque, tenha chegado o momento da Igreja Católica admitir, publicamente, a existência espiritual, a vida depois da morte e a comunicação entre os dois mundos.

Na entrevista com Dom Helder Câmara, realizada pelos editores, o Espírito comunicante respondeu as seguintes perguntas sobre a vida espiritual:

Dom Helder, mesmo na vida espiritual, o senhor se sente um padre?
Não poderia deixar de me sentir padre, porque minha alma, mesmo antes de voltar, já se sentia padre. Ao deixar a existência no corpo físico, continuo como padre porque penso e ajo como padre. Minha convicção à Igreja Católica permanece a mesma, ampliada, é claro, com os ensinamentos que aqui recebo, mas continuo firme junto aos meus irmãos de Clero a contribuir, naquilo que me seja possível, para o bem da humanidade.

Do outro lado da vida o senhor tem alguma facilidade a mais para realizar seu trabalho e exprimir seu pensamento, ou ainda encontra muitas barreiras com o preconceito religioso?
Encontramos muitas barreiras. As pessoas que estão do lado de cá reproduzem o que existe na Terra. Os mesmos agrupamentos que se formam aqui se reproduzem na Terra. Nós temos as mesmas dificuldades de relacionamento, porque os pensamentos continuam firmados, cristalizados em crenças em determinados pontos que não levam a nada. Resistem a ideia de evolução dos conceitos. Mas, a grande diferença é que por estarmos com a vestimenta do espírito, tendo uma consciência mais ampliada das coisas podemos dirigir os nossos pensamentos de outra maneira e assim influenciar aqueles que estão na Terra e que vibram na mesma sintonia.

Como o senhor está auxiliando nossa sociedade na condição de desencarnado?
Do mesmo jeito. Nós temos as mesmas preocupações com aqueles que passam fome, que estão nos hospitais, que são injustiçados pelo sistema que subtrai liberdades, enriquece a poucos e colocam na pobreza e na miséria muitos; todos aqueles desvalidos pela sorte. Nós juntamos a todos que pensam semelhantemente a nós, em tarefas enobrecedoras, tentando colaborar para o melhoramento da humanidade.

Como é sua rotina de trabalho?
A minha rotina de trabalho é, mais ou menos, a mesma.. Levanto-me, porque aqui também se descansa um pouco, e vamos desenvolver atividades para as quais nos colocamos à disposição. Há grupos que trabalham e que são organizados para o meio católico, para aqueles que precisam de alguma colaboração. Dividimo-nos em grupos e me enquadro em algumas atividades que faço com muito prazer.

Qual foi a sua maior tristeza depois de desencarnado? E qual foi a sua maior alegria?
Eu já tinha a convicção de que estaria no seio do Senhor e que não deixaria de existir.
Poder reencontrar os amigos, os parentes, aqueles aos quais devotamos o máximo de nosso apreço e consideração e continuar a trabalhar, é uma grande alegria. A alegria do trabalho para o Nosso Senhor Jesus Cristo.

O senhor, depois de desencarnado, tem estado com freqüência nos Centros Espíritas?
Não. Os lugares mais comuns que visito no plano físico são os hospitais; as casas de saúde; são lugares onde o sofrimento humano se faz presente. Naturalmente vou à igreja, a conventos, a seminários, reencontro com amigos, principalmente em sonhos, mas minha permanência mais freqüente não é na casa espírita.

O senhor já era reencarnacionista antes de morrer?
Nunca fui reencarnacionista, diga-se de passagem. Não tenho sobre este ponto um trabalho mais desenvolvido porque esse é um assunto delicado, tanto é que o pontuei bem pouco no livro. O que posso dizer é que Deus age conforme a sua sabedoria sobre as nossas vidas e que o nosso grande objetivo é buscarmos a felicidade mediante a prática do amor. Se for preciso voltar a ter novas experiências, isso será um processo natural.

Qual é o seu objetivo em escrever mediunicamente?
Mudar, ou pelo menos contribuir para mudar, a visão que as pessoas têm da vida, para que elas percebam que continuamos a existir e que essa nova visão possa mudar profundamente a nossa maneira de viver.

Qual foi a sensação com a experiência da escrita mediúnica?
Minha tentativa de adaptação a essa nova forma de escrever foi muito interessante, porque, de início, não sabia exatamente como me adaptar ao médium para poder escrever. É necessário que haja uma aproximação muito grande entre o pensamento que nós temos com o pensamento do médium. É esse o grande de todos nós porque o médium precisa expressar aquilo que estamos intuindo a ele. No início foi difícil, mas aos poucos começamos a criar uma mesma forma de expressão e de pensamento, aí as coisas melhoraram. Outros (médiuns) pelos quais tento me comunicar enfrentam problemas semelhantes.

Foi uma surpresa saber que poderia se comunicar pela escrita mediúnica?
Não. Porque eu já sabia que muitas pessoas portadoras da mediunidade faziam isso. Eu apenas não me especializei, não procurei mais detalhes, deixei isso para depois, quando houvesse tempo e oportunidade.

Imaginamos que haja outros padres que também queiram escrever mediunicamente, relatarem suas impressões da vida espiritual. Por que Dom Helder é quem está escrevendo?
Porque eu pedi. Via-me com a necessidade de expressar aos meus irmãos da Terra que a vida continua e que não paramos simplesmente quando nos colocam dentro de um caixão e nos dizem "acabou-se". Eu já pensava que continuaria a existir, sabia que haveria algo depois da vida física. Falei isso muitas vezes. Então, senti a necessidade de me expressar por um médium quando estivesse em condições e me fossem dadas as possibilidades. É isto que eu estou fazendo.

Outros padres, então, querem escrever mediunicamente em nosso País?
Sim. E não poucos. São muitos aqueles que querem usar a pena mediúnica para poder expressar a sobrevivência após a vida física. Não o fazem por puro preconceito de serem ridicularizados, de não serem aceitos, e resguardam as suas sensibilidades espirituais para não serem colocados numa situação de desconforto. Muitos padres, cardeais até, sentem a proteção espiritual nas suas reflexões, nas suas prédicas, que acreditam ser o Espírito Santo, que na verdade são os irmãos que têm com eles algum tipo de apreço e colaboram nas suas atividades..

Como o senhor se sentiu em interação com o médium Carlos Pereira?
Muito à vontade, pois havia afinidade, e porque ele se colocou à disposição para o trabalho. No princípio foi difícil juntar-me a ele por conta de seus interesses e de seu trabalho. Quando
acertamos a forma de atuar, foi muito fácil, até porque, num outro momento, ele começou a pesquisar sobre a minha última vida física. Então ficou mais fácil transmitir-lhe as informações que fizeram o livro.

O senhor acredita que a Igreja Católica irá aceitar suas palavras pela mediunidade?
Não tenho esta pretensão. Sabemos que tudo vai evoluir e que um dia, inevitavelmente, todos aceitarão a imortalidade com naturalidade, mas é demais imaginar que um livro possa revolucionar o pensamento da nossa Igreja. Acho que teremos críticas, veementes até, mas outros mais sensíveis admitirão as comunicações. Este é o nosso propósito.

É verdade que o senhor já tinha alguns pensamentos espíritas quando na vida física?
Eu não diria espírita; diria espiritualista, pois a nossa Igreja, por si só, já prega a sobrevivência após a morte. Logo, fazermos contato com o plano físico depois da morte seria uma conseqüência natural. Pensamentos espíritas não eram, porque não sou espírita. Sem nenhum tipo de constrangimento em ter negado alguns pensamentos espíritas, digo que cheguei a ter, de vez em quando, experiências íntimas espirituais.

Igreja - Há as mesmas hierarquias no mundo espiritual?
Não exatamente, mas nós reconhecemos os nossos irmãos que tiveram responsabilidades maiores e que notoriamente tem um grau evolutivo moral muito grande. Seres do lado de cá se reconhecem rapidamente pela sua hombridade, pela sua lucidez, pela sua moralidade. Não quero dizer que na Terra isto não ocorra, mas do lado de cá da vida isto é tudo mais transparente; nós captamos a realidade com mais intensidade. Autoridade aqui não se faz somente com um cargo transitório que se teve na vida terrena, mas, sobretudo, pelo avanço moral.

Qual seu pensamento sobre o papado na atualidade?
Muito controverso esse assunto. Estar na cadeira de Pedro, representando o pensamento maior de Nosso Senhor Jesus Cristo, é uma responsabilidade enorme para qualquer ser humano. Então fica muito fácil, para nós que estamos de fora, atribuirmos para quem está ali sentado, algum tipo de consideração. Não é fácil. Quem está ali tem inúmeras responsabilidades, não apenas materiais, mas descobri que as espirituais ainda em maior grau. Eu posso ter uma visão ideológica de como poderia ser a organização da Igreja; defendi isso durante minha vida. Mas tenho que admitir, embora acredite nesta visão ideal da Santa Igreja, que as transformações pelas quais devemos passar merecem cuidado, porque não podemos dar sobressaltos na evolução. Queira Deus que o atual Papa Ratzinger (Bento XVI) possa ter a lucidez necessária para poder conduzir a Igreja ao destino que ela merece.

O senhor teria alguma sugestão a fazer para que a Igreja cumpra seu papel?
Não preciso dizer mais nada. O que disse em vida física, reforço. Quero apenas dizer que quando estamos do lado de cá da vida, possuímos uma visão mais ampliada das coisas.
Determinados posicionamentos que tomamos, podem não estar em seu melhor momento de implantação, principalmente por uma conjuntura de fatores que daqui percebemos. Isto não quer dizer que não devamos ter como referência os nossos principais ideais e, sempre que possível, colocá-los em prática.

Espíritas no futuro?
Não tenho a menor dúvida. Não pertencem estes ensinamentos a nossa Igreja, ou de outros que professam estes ensinamentos espirituais. Portanto, mais cedo ou mais tarde, a nossa Igreja terá que admitir a existência espiritual, a vida depois da morte, a comunicação entre os dois mundos e todos os outros princípios que naturalmente decorrem da vida espiritual.

Quais são os nomes mais conhecidos da Igreja que estão cooperando com o progresso do Brasil no mundo espiritual?
Enumerá-los seria uma injustiça, pois há base em todas as localidades. Então, dizer um nome ou outro seria uma referência pontual porque há muitos, que são poucos conhecidos, mas que desenvolvem do lado de cá da vida um trabalho fenomenal e nós nos engajamos nestas iniciativas de amor ao próximo.

Amor - Que mensagem o senhor daria especificamente aos católicos agora, depois da morte?
Que amem, amem muito, porque somente através do amor vai ser possível trazer um pouco mais de tranqüilidade à alma. Se nós não tentarmos amar do fundo dos nossos corações, tudo se transformará numa angústia profunda. O amor, conforme nos ensinou o Nosso Senhor Jesus Cristo, é a grande mola salvadora da humanidade.

Que mensagem o senhor deixaria para nós, espíritas?
Que amem também, porque não há divisão entre espíritas e católicos ou qualquer outra crença no seio do Senhor. Não há. Essa divisão é feita por nós, não pelo Criador. São aceitáveis porque demonstram diferenças de pontos de vista, no entanto, a convergência é única, aqui simbolizada pela prática do amor, pois devemos unir os nossos esforços.

Que mensagem o senhor deixaria para os religiosos de uma maneira geral?
Que amem. Não há outra mensagem senão a mensagem do amor. Ela é a única e principal mensagem que se pode deixar? 


Livro: Novas Utopias
Autor: Dom Helder Câmara (espírito)
Médium: Carlos Pereira
Editora: Dufaux
Site: wwe.editoradufaux.com.br



quarta-feira, 18 de maio de 2011

A MÚSICA SACRA AFRO-BRASILEIRA

Curso de Extensão Universitária
FTU - Faculdade de Teologia Umbandista

A MÚSICA SACRA AFRO-BRASILEIRA



Professor responsávelJosé Flávio Pessoa de Barros
Doutor em Ciências Sociais pela USP, pós-doutorado pela
Sorbonne, ex-professor da UERJ, UFRJ e pesquisador da Universidade Cândido Mendes. É autor de obras de grande importância para o estudo e conhecimento das
religiões afro-brasileiras.


MÓDULO I – MITO DANÇA E HISTÓRIAS

Carga horária: 8 horas – das 9 às 17hs
Sábado – 28 de maio de 2011
Valor R$ 100,00

MÓDULO II – MÚSICA SACRA AFRO-BRASILEIRA

Carga horária: 8 horas – das 9 às 17hs
Sábado – 02 de julho de 2011
Valor R$ 100,00

MÓDULO III – O QUE SE CANTA E O QUE SE DANÇA

Carga horária: 8 horas – das 9 às 17hs
Sábado – 20 de agosto de 2011
Valor R$ 100,00





Inscrição na secretaria da FTU
            (11) 5031-8852       /5031-8110
ou no link para a página do curso no site



terça-feira, 17 de maio de 2011

Se pelo menos ensinassem português...

Os brasileiros falam de muitos modos. Há alguns programas de rádio no Nordeste que são simplesmente incompreensíveis para os paulistas. Um linguajar gaúcho bem cantado soa difícil em Manaus. Mas, quando se trata de estudar Matemática ou Ciências, todos os alunos brasileiros precisam saber o português, digamos, oficial, a chamada norma culta. Ou, ainda, quando uma companhia de Tecnologia da Informação (TI) lança um novo produto, uma máquina têxtil, por exemplo, o manual estará escrito no português normatizado, o dos dicionários.
Logo, as escolas brasileiras devem ensinar esse português, certo? Não é bem assim - é o que estão dizendo professores e lingüistas alinhados na tese de que não há o certo e o errado no uso da língua. Há apenas o adequado e o inadequado. Assim, "nós pega o peixe" não está errado. E se alguém disser que é, sim, errado, estará cometendo "preconceito lingüístico".
Essa tese se encontra no livro Por Uma Vida Melhor, da Coleção Viver, Aprender (Editora Global), que foi adotado, comprado e distribuído pelo Ministério da Educação a milhares de alunos. Daí a polêmica: trata-se de um livro didático, não apenas de uma obra de lingüística.
Mas a polêmica está tomando caminhos equivocados. O pessoal favorável a essa tese argumenta com a variedade da língua falada e com a evolução permanente da língua viva, acrescentando algumas zombarias com o que consideram linguajar culto, das elites, mas que não passa de um falar empolado.
Um velho amigo se divertia fazendo frases assim: "ele saiu em desabalada carreira pela via pública", em vez de "ele foi correr" ou "fazer jogging".
Brincadeiras. No entanto, um aluno de 15 anos deveria rir dessa brincadeira.
O que o senhor acha, caro leitor? O aluno médio de uma escola pública brasileira perceberá o jogo com aquelas palavras? Entenderá sem esforços que se trata de um modo rococó de dizer algo simples?
Eis o equívoco em que nos estamos metendo. Em vez de tomar como prioridade absoluta o ensino da língua "oficial", aquela na qual vêm escritos os jornais, os manuais de TI, os livros de Matemática e os de Ciências, abre-se um debate para dizer que as crianças brasileiras podem falar e escrever "os menino pega os peixe".
É claro que podem. Mas precisam saber que esse não é o correto. E, se não souberem o correto, não poderão ler aquilo que os vai preparar para a vida profissional e para a cidadania.
Vamos falar francamente: uma pessoa que se expressa mal, que conhece poucas palavras e poucas construções, é uma pessoa que pensa mal, que compreende pouco.
Os alunos de Xangai foram muito bem no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês) - o teste internacional para jovens do ensino médio, aplicado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A prova avalia o conhecimento da língua, Matemática e Ciências. Na imensa China, entre 1,35 bilhão de habitantes, falam-se muitas línguas e muitos dialetos. Mas há uma língua oficial, escrita e falada, na qual os chineses estão
alcançando posições de ponta na ciência e na tecnologia. Ensinam a língua intensamente.
Os alunos brasileiros vão mal no Pisa. Apresentam baixíssimo índice de compreensão de textos. Não sabem Português, e esse é um problema social e econômico. A baixa educação simplesmente condena à pobreza.
Dizer aos meninos, em livros didáticos, que "nós pega o peixe" está certo não é apenas um equívoco, é um crime. E discutir essas teses é perda de tempo, energia e dinheiro.
É como se tivessem desistido. Como não se consegue ensinar o Português, então vale o modo errado. E quem pensa diferente é preconceituoso. E então não precisa ensinar mais nada, não é mesmo?
Nossos professores, educadores e lingüistas deveriam concentrar seus esforços num tema: como ensinar a língua culta para todos os alunos das escolas públicas e rapidamente. Conseguido isso, depois que nossas notas no Pisa alcançarem os primeiros lugares, então, tudo bem, vamos discutir as variações e os modos populares.

Comentário do Velhinho: É como se tivessem desistido e essa desistência tenha se tornado método. Por exemplo: Como é muito difícil combater a corrupção, uma vez que nossos legisladores não se interessam em criar leis que possam a vir prejudicá-los, a maioria dos brasileiros assume que que corrupto e corruptor são inevitáveis como a "cervejinha" para o guarda de trânsito, o dólar na cueca, o "rouba mas faz", o "eu não sabia"; basta que os envolvidos não sejam pegos e, se o forem, que se protele quase ad aeternum nas procrastinações permitidas no Judiciário; de lambuja, se articula uma lei de "ficha limpa", como se o eleitor não tivesse a sabedoria necessária para identificar o político corrupto. Ele tem, mas prefere conviver com a corrupção. Afinal de contas, quantos não votam em fulano ou sicrano por conta de promessas, boa parte delas nunca cumpridas. Outro exemplo: Como é muito difícil combater o tráfico de drogas, porque não desciminalizar algumas delas, como a maconha? Para defender essa tese, surgem os mais estranhos argumentos - usuário não trafica (equivale dizer que o corrupto não comete crime), o tráfico não está definido claramente pela lei, nem a quantidade de droga para se considerar tráfico (mas se a droga é ilegal, independente da quantidade, chegou ao usuário final ilegalmente, e se esse usuário redestribui o seu "estoque recreativo", vendendo ou não, está estimulando o consumo de droga proibida, portanto o tráfico), maconha é uma droga recreativa (tão recreativa que as chamadas "bocas de fumo" são disputadas a tiros por traficantes, com direito a imposição de violência para a população do entorno onde essas "bocas" se localizam, tão recreativas que toneladas da droga são apreendidas todos os meses e essas apreensões devem ser apenas a ponta do iceberg), o usuário é drogadicto, então não é um problema da Justiça, mas de Saúde Pública (quando na verdade é um problema político, de falta de iniciativa conjunta dos Três Poderes, sem deixar de ser, também, problema de Justiça e de Saúde Pública; é a desistência, pelo Poder Público, da população que fica entregue à sanha de traficantes, usuários, defensores do direito da maconha e dos crimes conexos à droga; as drogas - e a maconha! - no Brasil guardam similaridade com a Guerra do Ópio da China). Mais um exemplo: O sistema penitenciário no Brasil é sofrível há décadas, mas não se investe nesse tipo de infraestrutura - como não se investe adequadamente na Educação e na Saúde Pública! - porque desistiram de acreditar que é correto punir o crime e o que é errado para a sociedade (assim, nosso sistema prisional nunca será adequado aos ditames da Declaração Universal dos Direitos Humanos; se prefere soltar criminosos, do que corrigí-los e quem paga o pato é a sociedade)
Se o Velhinho for continuar, sobrarão exemplos de desistência.
Faltam políticos honestos e com vergonha na cara, e essa é uma verdade. Faltam representantes do povo que realmente tenham patriotismo (aliás, patriotismo virou palavrão!) e que coloquem o interesse da Nação e da Sociedade acima de seus próprios interesses e dos interesses de poder de seus partidos políticos. Falta, também à boa parte dos brasileiros, vergonha na cara. Eles desistiram da sociedade e parece que a própria sociedade desistiu de si mesma...

domingo, 15 de maio de 2011

NEUROPSICOLOGIA - Antônio Damásio: O cérebro à procura da Alma


Ëdition Spéciale Science & Vie, 1996
Por René Bernex
Tradução de Paulo F. de M. Nico

Para  o neurocientista português, atualmente radicado nos E.U.A. 
Prof. Dr. Antônio Damasio, a razão pura não existe: nós pensamos
com o nosso corpo e nossas emoções. O retrato de um 
pesquisador que deu à alma uma base neurobiológica.
“Os fenômenos mentais  se integram verdadeiramente ao corpo tais como  eu os visualizo, são capazes de dar lugar às mais altas operações, como aquelas que revelam a alma e o nível espiritual. Sob meu ponto de vista, não obstante, todo o respeito que devemos concordar em noção da alma,  podemos dizer que por último esta reflete somente um estado particular e complexo do  organismo”.



É o que afirma Antônio Damasio, diretor do departamento de neurologia da 
Universidade de Iowa (Estados Unidos) e professor no Instituto Salk para 
estudos biológicos (Jolla, Califórnia). Aquele cujos pares  sobrenomearam  
“O  Toscano da Neuropsicologia”  livre pela essência de seu passo 
intelectual: reunindo diretamente as preocupações atuais da pesquisa 
em seu domínio, ele tenta após anos descobrir os mistérios da consciência 
e das faculdades mentais superiores, a fim de, talvez, melhor discernir 
sobre as noções ambíguas do espírito ou da alma. Originalidade de sua obra:  
jamais recorrer à simples experiência, como faz hoje a maior parte de seus 
homólogos, mas tirar sobretudo as conclusões da observação atenta 
desses casos “naturais”, quer dizer, não fabricar para o homem   passos 
audaciosos e a imaginação pelo grande cirurgião e antropólogo  francês, 
Paul Broca, há um século e meio. Submeter assim nossa compreensão ao 
mais precioso de nossos órgãos.
Por mais áridas que possam parecer suas pesquisas, Antônio Damasio ama, 
entretanto, ferozmente a vida que ele degusta a cada instante com um prazer 
consumado. Baixo, olhos e cabelos castanhos, sempre impecavelmente 
penteados aquele que o considera como um dos maiores maestros do 
estudo do cérebro humano, oferece um retrato  lido e sorridente do 
diplomata. Calmo, apaziguador, ele é certamente capaz de falar durante  
horas sobre a neuroconsciência, como também de arquitetura, arte 
moderna,  cinema, história, filosofia e até mesmo gastronomia. Um fino 
gastrônomo, ele sabe sempre descobrir os melhores restaurantes em 
ocasião de um colóquio.  Sem dúvida, em razão de sua origem européia...


      
A Cartografia do Pensamento
Graças às novas tecnologias imaginárias médicas que Damasio pôde montar a cartografia do pensamento.

Antônio e sua mulher Hanna (que trabalha com ele e divide as 
mesmas paixões, e a quem deve uma boa parte de seu sucesso) 
todos os dois nasceram em Portugal, e obtiveram seus diplomas na 
faculdade de medicina da Universidade de Lisboa. Após terminarem suas 
teses, partiram para os Estados Unidos. “Há vinte anos, explicam  
eles, foi o último lugar onde pudemos fazer a pesquisa”.  
Primeira etapa em 1967:  o laboratório do grande neurologista Norman 
Geschwind, centro de pesquisa sobre Afasia em Boston. Com a morte 
de Geschwind, em 1984, o casal parte para Iowa. Arthur Benton instalou-se, 
de um lado, por causa dos papéis da neuropsicologia, mas também 
sobretudo por causa  daquele estado rural e deserto, onde havia excelentes 
escolas, bons hospitais e “ as pessoas pensam que é normal ajudar à pesquisa 
médica.”
Foi aí exatamente sua falha. Após a chegada de Arthur Benton, todos 
acreditaram que boa parte dos principais centros mundiais consagram 
estudos dos substratos neurológicos às funções mentais. Antônio afirma, 
como o teórico do casal, aquele que interpreta as experiências. 
Devemos notar em sua equipe, as  contribuições importantes na compreensão 
da visão, da memória, da linguagem, da tomada de decisões. Hanna, 
neuroanatomista, nutre a reflexão de seu ego ao imaginar e construir a 
maior parte das experiências.  Ela foi notavelmente uma das primeiras a utilizar 
as tecnologias atuais imaginárias do cérebro para estudar o cérebro humano 
e as funções cognitivas.
Resultado: em 1992, 
Antônio e Hanna receberam o prêmio Pessoa, 
a mais alta distinção intelectual de Portugal, 
pela sua contribuição a cartografia do cérebro. 
A presença de sua mulher, na cidade de 
Iowa, longe em primeira  instância das 
grandes mecas da pesquisa Americana, 
representou  um papel determinante na 
carreira de Antônio Damasio. No coração 
de Midwest, um imenso  Hospital da Universidade de Iowa recebeu em 
decorrência de doenças de todos os tipos, pouco menos que o relativamente 
escolhido para as megalópoles universitárias.  O departamento de 
neuropsicologia também pôde notar os múltiplos casos fascinantes. 
Junto de Damasio pudemos reunir uma coleção de mais de 2.000 
doenças registradas em função de seus problemas (ataques, 
infecções, traumatismos, tumores e outros acidentes cerebrais).
Damasio se recorda desde a infância do aprendizado segundo o qual a gente 
não pode tomar uma sábia decisão a não ser com  calma. “De outro modo, 
disse, precisa-se, havia aprendido, que as emoções e a razão não podem 
mais se unir, assim como a água e o óleo. Portanto, confiante, fui 
confrontado um dia com o ser humano, o mais frio, o menos emotivo que  
se podia imaginar, ou, apesar de sua inteligência, sua faculdade de 
raciocínio fosse assim perturbado, nas circunstâncias variadas da 
vida cotidiana, ele se conduzia de todas as maneiras errôneas, fazendo 
agir  perpetuamente pelo oposto daquilo que teria considerado como 
socialmente apropriado e como vantagem para ele”.  
Por volta dos 30 anos, um paciente em questão, chamado de Elliot, 
apresentou o que pareceu ser um meningioma, de outro modo 
disseram tratar-se de um tumor saído das meninges, que comprimia 
os dois lóbulos frontais. Após uma operação prática de urgência e 
coroada de sucesso, viria a cura.  Infelizmente, sua personalidade 
mudou muito rápido.  Para pior.  
Rapidamente com efeito, o jovem partiu à deriva, tornou-se desligado e 
distante. Assim, no consultório, ele hesitava entre uma tarefa e outra, 
ou refletia indefinido em relação aos princípios dos processos de 
classificação, sem jamais tomar decisões. Portanto, sua 
inteligência permanecia perfeitamente intacta. Seus conhecimentos 
também. Incapaz de um trabalho regular, Elliot colocou-se a especular, 
investiu todas suas economias e perdeu tudo, inclusive sua família. 
Tornou a se casar e divorciou-se novamente....
          Com o tempo, ele terminou sendo considerado por todo o mundo 
como um preguiçoso e um simulador.


UM DETECTOR DE EMOÇÕES
Quando as pessoas “normais” vêem imagens contidas de forte emoção, sua secreção do suor aumenta. No caso das pessoas estarem sujeitas às lesões cerebrais, não há nenhuma resposta epidérmica.
QUANDO  O CÉREBRO É LESADO
O córtex frontal representa um papel essencial no controle de nossas emoções.  No caso de lesão, quando aparecer um forte estímulo  1) vindo do meio do corpo, o córtex frontal   2) não pode lhe proibir a passagem.   O estímulo escuro pelo tálamo,   3) o sistema límbico,   4) os núcleos estriados,  5) o lóbulo temporal,  6) a amídala,   7) e o mesencéfalo  8)  Ao final deste tour de circuito, ele volta ao tálamo e continua sua ronda.  As lesões do córtex frontal pode provocar uma mistura da desinibição e da agressividade.

UMA BARRA DE MINÉRIO ATRAVESSA-LHE O CÉREBRO
            
Até hoje  Damasio se interessa pelo caso, fizeram-lhe sofrer 
uma bateria de testes psicométricos, e examinaram seu 
cérebro por IRM  (imagem por ressonância magnética). 
Ele descobriu uma lesão no nível da parte frontal de seu cérebro. 
E absolutamente nada no outro.
É obrigado então a constatar que este único “problema” arrebatou  
uma inatitude ao tomar as decisões.  Elliot era bom e bem doente.  
Damasio e sua equipe erraram em conseqüência da ocasião de 
escrutar o cérebro por um bom vintém de casos iguais ao de Elliot.  
Todos apresentam lesões tocantes a uma das estruturas cerebrais 
ligadas às emoções e à tomada de decisões: o córtex pré-frontal 
ventro-mediano. Entre aqueles numerosos casos estudados, sem 
dúvida que um dos mais curiosos de todos os anais médicos: aquele 
de Phineas Gage, que, em setembro de 1848, no momento em 
que trabalhava em uma construção de uma ferrovia, em Nova-Inglaterra 
(Estados Unidos), foi vítima de uma explosão acidental: uma barra de 
minério, 1,80 m, lhe atravessou o crânio e o cérebro.

UM DETECTOR DE EMOÇÕES

Até mesmo as pessoas “normais” quando vêem imagens carregadas de 
grande emoção, têm as secreções sudoríparas aumentadas. No caso 
das pessoas sujeitas a lesões cerebrais, não há nenhuma resposta epidérmica.  
Gage não somente sobreviveu, mas parecia totalmente consciente após 
o acidente, e foi imediatamente capaz de andar e de falar. Mas, assim 
como no caso Elliot, apesar de quase um século e meio mais tarde, 
sua personalidade se modifica profunda e definitivamente. Certamente, 
ele não apresentava nenhuma desvantagem de motricidade e de linguagem, 
era capaz de aprender, e sua memória e sua inteligência estavam intactas.   
Somente seu comportamento social foi modificado. Dantes responsável, 
socialmente bem integrado e apreciado, tornou-se muito rapidamente irresponsável, 
grosseiro e caprichoso. Perdeu seu trabalho e passou os doze anos que  
sobreviveu a vadiar, a se exibir  no circo Barnum, antes de morrer em 1860.

AUTÓPSIA DE OUTRO ACIDENTE

Felizmente pela corajosa ciência, cinco anos após a sua morte, seu 
médico pessoal pede a sua família autorização para exumar o corpo e 
recuperar o crânio - que se encontra de agora em diante na Universidade 
de Harvard.  
Retornando à nossa época: Albert Galaburda, neurólogo e velho amigo de  
Damasio, toma todas as medidas do crânio lesado. E em 1994, Hanna 
Damasio e seus colaboradores reconstituíram em três dimensões, 
graças às técnicas imaginárias assistidas pelo orientador, o crânio de Gage.  
Após reconstituir o trajeto da barra de ferro através daquele que 
poderia ter sido seu cérebro, o resultado daquela verdadeira autópsia 
do outro acidente:  Gage e Elliot apresentam lesões estritamente parecidas.  
A compilação de todos aqueles dados permitiu aos pesquisadores americanos 
aperfeiçoar os testes práticos sobre Elliot e seus semelhantes e precisar as 
relações entre a razão e as emoções. Assim Daniel Tranel, um colaborador 
de Damasio, teve a idéia de aplicar em Elliot um teste destinado a detectar 
as emoções. Este consistiu em apresentar ao paciente imagens trágicas:  
casas em fogo, assassinatos, tremores de terra, feridos, etc...   
Elliot não sofreu estritamente nada ...  
Damasio se recorda:  “Era absolutamente irreversível. Estava na medida 
de conhecer,  mas não de sentir”.  Estas descobertas conduziram o neurólogo 
a construir a mais espantosa das teorias da pura razão. “A observação dos 
pacientes, assim como Elliot, sugere que a fria estratégia evocada por 
Kant e por outros autores pareça mais de uma maneira cujas pessoas 
acometidas de lesões pré-frontais procedentes por tomarem uma decisão  
do que aqueles indivíduos normais”. 
Se é que nos ameniza, pensemos no famoso aforismo de Descartes. 
“O coração tem razões que própria razão desconhece”. Damasio, 
retoma totalmente a fórmula: “O organismo tem certas razões, 
que a razão deve absolutamente levar em conta”, considera ele.  
Para os neuropsicólogos da cidade de Iowa, não existe portanto, 
razão no estado puro.  Não há corte, entre o corpo e o espírito. 
O homem é um todo.  
Uma impressão ainda não confirmada por um dos últimos casos 
observados, aquele de SM, foi recentemente objeto de importantes 
publicações nas revistas científicas anglo-saxônicas (natureza, especialmente).   
Trata-se de uma mulher incapaz de decifrar o medo sobre o rosto de outro.   
Isto pela simples razão daquela pessoa apresentar uma lesão na amídala, 
uma parte do cérebro, devido a uma calcificação seletiva 
(Doença de Urbach - Wiethe). De onde,  sem dúvida, surgem graves 
dificuldades sociais. De maneira geral, SM ilustra portanto perfeitamente 
bem a importância das relações entre o mundo das emoções e da 
consciência ou da tomada de decisões.  
A causa dos problemas sociais de S.M. pode parecer diferente daquela 
de Elliot ou de Gage, ou daqueles que, como eles, apresentam 
danos no nível orbital do córtex frontal. Antônio Damasio, pensa 
totalmente o contrário. Ele considera que estes são aspectos 
do mesmo problema. A deficiência de SM sustentou de fato sua 
hipótese, segundo ele aquela tomada de  decisões sociais adaptadas 
implica nos sinais emocionais ou de outros indicadores do estado do 
organismo. Estes sinais, que Damasio chama de “marcações somáticas”, 
são utilizadas para avaliar se uma decisão particular seria uma 
boa ou uma péssima conseqüência.
Um “guia” da sobrevivência.  
No córtex frontal se 
encontram “as zonas 
de convergência” 
que integram as conexões 
entre uma determinada 
situação e os estados do 
corpo (algumas das múltiplas 
situações e percepções memorizadas).
As zonas de convergências 
alimentam os “marcadores 
somáticos”, um tipo de 
guia automático que orienta a 
escolha do indivíduo 
visando a sobrevivência.
  




AS EMOÇÕES NOS AJUDAM A PENSAR CERTO
            
Para todos os seus colegas, esta teoria é uma das maneiras mais 
originais da neurologia nos últimos anos.  É um aspecto 
essencial de alto nível de complexidade existente no humano 
que se põe em relevo nessas pesquisas. Grosso modo, isto significa 
simplesmente  que nós “pensamos com o nosso corpo”. Que as 
emoções  são  literalmente “corporalizadas”.   Uma visão da natureza 
humana que Freud e a psicanálise não desmentirão sem dúvida.. 
Antônio Damasio explica:  “Quando nós somos confrontados a escolher, 
o que se passa? Fazemos um tipo de análise de custos  e benefícios, 
olhamos todas as opiniões, pegamos um lápis e começamos a calcular.  
O que se passa se eu fizer assim ou assado?   Se utilizar este único 
método - mesmo para tomar uma simples decisão? Há tantas 
possibilidades,  tantos resultados intermediários, que para decidir 
se você aceita jantar comigo esta noite, lhe será necessário pelo 
menos uma hora, ou, é provável que você possa responder a um 
convite por sim ou por não em alguns instantes.  Por quê?”.  
Penso que nós somos talvez ajudados pelas emoções, responde 
o neuropsicólogo. Se no decorrer de nossa vida temos de aprender 
o que é bom ou não para nós, seria apropriado, hoje e no futuro,  
desenvolvermos um tipo de guia automático.  Eu chamei este 
mecanismo de marcador somático.  É ele que ajuda a eliminar as 
opções piores, ou que, ao contrário, pode levar a uma escolha das 
conseqüências benéficas. Mas, estes famosos marcadores somáticos 
não estão de fato situados nos lóbulos frontais. Não se encontram 
na realidade, nestas regiões,  meios de generalizar os marcadores 
somáticos. “É o que eu chamo uma zona de convergência”, precisa Damasio.  
Esta constata as conexões entre certos estados do corpo e de uma 
dada situação. Até a zona de convergência ser ativada, uma multidão 
de ordens partem em direção à amídala, ao tronco cerebral, ao hipotálamo, 
para criar um estado particular então apresentado no córtex somato-sensorial.  
“E este serve de marcador. É tudo simplesmente o estado que qualifica 
uma imagem ou uma situação particular”.  
Após  vários meses então, Damasio tenta mudar sua teoria dos 
marcadores somáticos.   E este, ao estudar a resposta epidérmica 
às emoções graças aos testes de “condutância cutânea”. O princípio 
é o mesmo que aquele dos detectores das mensagens: assim, quando 
contemplamos uma cena que nos afeta, certos elementos do 
nosso sistema nervoso preparam um aumento da quantidade de 
suor produzido pela pele, quase imperceptível, mas detectável 
si passar por uma fraca corrente elétrica.




































O CASO DE PHINEAS GAGE 
A mulher e colaboradora de Antônio Damasio, Hanna, realiza 
a reconstituição graças às técnicas imaginárias assistidas por 
um coordenador; a lesão cerebral e o crânio de Phineas Gage. 
Teve o crânio, em 1848, transpassado por uma barra de ferro. 
Extraordinariamente, Gage sobreviveu à sua ferida, mas sua personalidade
 foi profundamente afetada.



UMA TEORIA QUE REPOUSA SOBRE CENTENAS DE CASOS
          
Em uma Universidade em Iowa, os pesquisadores então 
assumiram vários grupos de discussões das projeções 
das séries de dispositivos, para a maior parte banais, 
mas entrecortados de quaisquer sessão de subversão 
e movimentação. Resultado: os assuntos “normais” 
apresentam aos olhos de quaisquer fotos dramáticas, 
uma importante resposta epidérmica.  Então, nem Elliot 
e nem os outros pacientes sofreram algumas das mesmas 
lesões cerebrais. Se é isto, lógico, totalmente significativo.
Evidentemente, a teoria coaduna com a neuropsicóloga 
americana que não responde unicamente aos casos de Elliot, 
SM e Gage. Ela é constituída sobre o estudo minucioso por anos, 
durante as múltiplas lesões diferentes e suas conseqüências 
nos casos de centenas de pacientes.   Damasio opta por uma 
aproximação muito concreta aos mecanismos mentais.  
Ele trabalha sobre os casos reais e não sobre os modelos 
animais ou as experiências de laboratório. Sua mensagem é clara: 
“O espírito respira o viés do corpo e o sofrimento, que ele tenha 
sua forças no nível da pele ou da imagem mental, preso ao efeito 
da cadeira”, afirma ele.
E Antônio Damasio conclui com precisão, como para desculpar-se 
antes deste reducionismo um tanto blasfematório: “Demonstrar 
que a percepção de uma determinada emoção depende de um certo 
número de órgãos do corpo não diminui o valor daquela percepção o 
ponto de um fenômeno humano. Nem a mágoa, nem o êxtase que podem 
acompanhar o amor ou a arte  se encontram desvalorizados pelo fato 
de nós cumprirmos quaisquer dos milhares de processos biológicos 
que fazem dessas emoções aquilo que são”. “É precisamente o 
contrário que é verdadeiro: nós não podemos estar espantados 
diante da complexidade dos mecanismos que tornam possíveis 
estes sortilégios. A percepção das emoções é a base daquilo 
que os seres humanos chamam, depois de milênios, a alma e o espírito”.